O ano de 2010 deixa um novo marco na história das campanhas eleitorais no Brasil, sendo a primeira em que a Internet ganha maior importância e investimento por parte dos candidatos de todas as esferas e partidos. Por outro lado, muitos ainda a encaram como um modismo e faz um uso amador ou menospreza o poder do uso das ferramentas e das estratégias que se pode realizar com elas. Porém, o maior marco talvez não seja no seu uso em si, mas o que ela representa àqueles que votarão.
Não sei exatamente qual é o seu uso da rede, mas possivelmente já tenha percebido o quanto aumentou a facilidade de se conversar com os candidatos (e possivelmente futuros representantes); propor projetos que atinjam a sua comunidade; reclamar de algo que seu candidato tenha dito; discutir, de verdade. Ou seja, a campanha saiu de simples distribuição de santinhos e o voto naquele com maior poder de distribuição, para ser aquele em que o poder está no diálogo. Avalie quantas portas abertas o seu candidato lhe deixa: se não permite o diálogo agora, não espere que o faça quando estiver no poder. E não se iluda, porque simplesmente possuir conta em 173 redes sociais não garante uma conversa ou um conteúdo interessante que vá lhe acrescentar algo.
E talvez o mais interessante do uso da Internet pelos eleitores é que, mesmo que o candidato não queira marcar sua presença nela, ele estará assim mesmo. Basta que um usuário, possível eleitor, fale dele e, pronto, a semente para que aquilo se espalhe foi plantada, independente se o que foi dito foi a favor ou contra. Um mau comportamento; uma frase mal dita; proposta inadequada ou portas fechadas ao diálogo são algumas centelhas para que isso ocorra.
O contrário também pode ser esperado, porque conteúdo interessante (que não fale somente “Vote em mim, vote em mim!”), que desperte a atenção e acrescente algo bom ao leitor também poderá ser espalhado aos seus contatos. E falando nisso, não há eleitor bobo. Portanto, candidatos devem se preocupar em se relacionarem com os seus representados (agora e depois) e assim, quem sabe, criar uma boa reputação e aceitação. Afinal, “Vote em mim, vote em mim!” não é campanha, é “encheção” de paciência – para não dizer outra coisa.
Não vamos fazer da Internet um santinho ou outdoor eletrônico. As mídias sociais permitem que ela seja ferramenta que ofereça o que mais se quer: diálogo espontâneo. Assim, seja nas eleições ou depois, durante o governo, certamente conseguiremos construir um Brasil muito melhor, com a participação de todos, fincando, a cada dia, novos marcos da participação popular no crescimento do nosso país.
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http://twitter.com/jorgeperiquito/status/20414815210 Jorge Periquito
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